Dizer adeus é sempre triste. O momento de se despedir de amigos e familiares dói e sangra; quando a partida é de blog tão querido a ferida é mais funda.

Por força do destino – do sistema, dos políticos e do professor -,  Hitchcock Se Revira saúda seus três leitores, que, além de leitores, também escrevem os posts.

Fazer parte da família Hitchcock foi um experiência marcante. Várias vezes quisemos desistir; não foi fácil manter a qualidade e a expectativa dos seguidores. 

Esperamos ter dado um pouquinho de alegria e conhecimento a todos, sem nunca perder o humor, o amor, a dor, o rancor, o ardor, a cor, a flor, o Arpoador e o condor.

Fomos boicotados, resistimos por alguns dias. O inimigo era forte e nos venceu.

Como um fênix que flerta com o ressurgimento, uma promessa deixaremos: quando alcançarmos 1000 visitas, nós voltaremos com atualizações diárias, que, de tão chatas, serão incríveis! Paguem para ver!

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O amor e outros estranhos rumores.A tarefa de adaptar para o teatro a narrativa fantástica de Rubião não é uma tarefa fácil, sobretudo porque um traço marcante do talento desse grande escritor, está em sua capacidade de utilizar elementos do imaginário humano na construção de seus contos. Um coelhinho que se metamorfoseia em vários animais e fala, um cadáver que vai ao baile, uma mulher que engorda na proporção de seus desejos e a empreitada de homens em construir um edifício infinito. Essas são algumas imagens marcantes da obra de Rubião que mostram as angustias  e  conflitos do homem moderno por um viés surreal e fantástico.

A peça do Tuca, O amor e outros estranhos rumores, é uma adaptação de três contos de Murilo Rubião: Memórias do contabilista Pedro Inácio, Os três nomes de Godofredo e Barbara. Os protagonistas desses três contos encontram-se em uma estação de trem e ao retirarem  a passagem com um homem com rosto de coelho, uma citação a Teleco, notam que a passagem não tem destino. Perdidos dentro dessa estação passam a contar suas histórias.  É notável a maneira como a peça consegue transpor para o teatro o realismo fantástico dos contos de Murilo Rubião.

Primeiro Ato- Grupo CO.MU.CO.A peça do grupo CO.MU.CO é  sem dúvida uma peça ousada, por sua tentativa de tentar passar para o público o que é o próprio ato de se fazer teatro e, em um jogo de metalinguagem, desestruturar algumas de suas formas.
O público é convidado a assistir a peça de cima do palco, transitar pelo cenário no qual  luminárias estão cobertas por tecidos se colocam em frente a livros e escritos dos próprios atores. Depois todos sentam em roda, inclusive os próprios atores, e esses iniciam uma discussão sobre linguagem e comunicação. Ao longo da peça os atores, que se incumbem de uma função de narrador, contam a história do menino Ninguém em paralelo com a volta de Ulisses a itaca, para discutir a identidade. Talvez por ser a primeira peça do grupo, a associação entre suas partes se dá de uma maneira frágil e o excesso de formas , como a apresentação de vídeos,  acabam cansando o espectador.

Comunicação em um Espectro Aberto

Qual o sentido da vida? Existe vida após a morte? O que é espectro aberto?
Das questões colocadas acima, creio que , nos tempos de internet, a terceira é a mais importante. Espectro, em termos de tecnologia e comunicação, não é o que aprendemos nas aulas de ótica na escola e tampouco o poderoso feitiço de Harry Potter. Espectro é  a faixa pelo qual sinais de aparelhos sem fio são enviados, como no caso da televisão, do radio e da internet, parece magia mas não é.

O Espectro Aberto é o uso de todos, livremente, do espaço no qual os sinais de comunicação circulam. Esse espaço é utilizado por toda tecnologia wireless. Permitir o espectro aberto seria permitir o envio de sinais nessa faixa nem que precisasse haver uma permissao de algum orgão. Hoje em dia, quem controla isso é a Comissão Federal de Comunicações, a FCC, nos EUA, e a Anatel, no Brasil e, em Hogwarts, o ministério da magia. A possibilidade de uso de espectro aberto eliminaria a necessidade de uma internet paga e a rede de internet funcionaria de um modo no qual cada  computador funcionaria como um receptor e emissor potencial de sinal.

A técnologia para isso já existe, mas é claro que não agrada empresas privadas que estão sempre em oposição ao potencial libertador da internet.

Todos nossos leitores – aliás, obrigado pela grande audiência – sabem que o objeto das análises publicadas são oriundos do maior acervo fílmico do mundo, o YouTube. É sabido, também, que este endereço virtual é riquíssimo em materiais cinematográficos contemporâneos, que, com suas sutilezas e referências implícitas, intelectualizam espectadores, inspirando-os e incitando-os a fazer parte da horda pensante global.

Considerando que o YouTube é a principal bibliografia para os ensaios revira-hitchcockianos, não é prepotência dizer que somos grandes conhecedores do assunto e que, portanto, tudo o que temos a dizer sobre esta filmoteca virtual é legítimo e não deve ser contestado. Sendo assim, é nosso dever cívico alertar aos internautas sobre uma nova tendência, que, de brutal e agressiva, afronta os ideais católicos, leis divinas de regência do existir.

Os filmes inteligentes do YouTube, marcas da sobrevida do intelecto na hipermodernidade lipovestkiana, estão perdendo espaço para cenas bárbaras de tortura que estão sendo vinculadas, em massa, por cidadãos mal intencionados e, sem sombra de dúvidas, fisgados pelas teias do ateísmo.

Não precisou de muita pesquisa para achar um exemplo mordaz desta maré de ódio que se alastra lentamente. Por abominá-lo, recusamo-nos a publicá-lo em nossa página. Aos curiosos – se você for de um deles, peço não nos visite novamente -, aqui vai o link: http://www.youtube.com/watch?v=pib9zv1dHcE. Onde vamos parar com tanta frieza e agressividade? Com esta reflexão, o Hitchcock se Revira se declara, oficialmente, em greve por tempo indeterminado.

Querido leitor,

Se você ainda não me conhece, permita-me alertá-lo que sua ignorância incomoda os internautas vorazes. Não saber quem eu sou é quase tão grave quanto desconhecer que o uso de lápis azul nos olhos é a nova tendência da moda.

Sou a Transmídia, o novíssimo mecanismo da indústria de entretenimento para atrair cidadãos antenados ao seus domínios. Como meu próprio nome diz, sou o que está além da Mídia, aquele recurso franzino fisgado pela obsolescência virtual.

Invocam o meu nome para fazer referência a produtos culturais que não se limitam a estar presentes apenas em uma mídia; o conteúdo, que estende-se em mais de um meio – internet, televisão, rádio -, vale-se das especificidades de cada um, a fim de tornar-se mais atrativo e plural.

Para aproveitar ao máximo minhas capacidades, não é necessário ser um grande intelectual; prova disso, é que até Zezé Di Camargo & Luciano estão me usando no novo – e belíssimo – clipe da canção Tapa na Cara (veja só: zezedicamargoeluciano.uol.com.br/clipe/), que soma a linguagem usual do videoclipe com a interatividade da internet.

http://www.youtube.com/watch?v=OQSNhk5ICTI



 Nunca escondi de ninguém o meu carinho especial por filmes que revelam, desde o início, aspirações pré-socráticas; recurso clichê, consagrado pelo senso comum, mas que, nem por isso, deixa de acariciar a minha sensibilidade.

                Heráclito, figurinha valiosa no álbum de filósofos anteriores a Sócrates, afirmava, em outras palavras – e em outro idioma -, que um homem jamais cruzará o mesmo rio, posto que tanto o homem quanto o rio não serão mais os mesmos na segunda ocasião; tudo está em constante transformação.

                Do mesmo modo que um sujeito jamais poderá banhar-se nas mesmas águas, é também impossível que ele depare mais de uma vez com o mesmo arco-íris. A ocorrência de um episódio como este implicaria em uma reação de constante surpresa por parte do espectador; a cada fração de segundos, ele estaria defrontando-se com uma nova manifestação da natureza.  É isso que acontece no vídeo em questão.

                Por mais de três minutos, o que vemos é um sujeito gritando, por diversas vezes, “Double Rainbow!”, com suspiros e interjeições constantes; em certos momentos, até parece chorar. A explicação para a repetição deste brado não reside na loucura do interlocutor, pois louco ele só seria se estivesse impressionado com o mesmo arco-íris – ainda que duplo. No entanto, como nem ele nem o arco permanecem imutáveis, a epifania é constante.

                Outra chave de análise possível, complementar à exposta nos parágrafos anteriores, pode ser encontrada nos cânones da religião cristã. Com um pouco de conhecimento sobre as instituições religiosas espalhadas ao redor do mundo – e isso implica em saber o nome de cada igreja/comunidade e sua localização-, torna-se possível relacionar o nome do autor do filme (Hungrybear – algo como “Urso Faminto”) à Igreja Católica The Bear (O Urso), localizada em Depford, South East London.

                O realizador explicita, em seu nome de usuário, a sua condição de adepto fervoroso – faminto – dos preceitos cristãos. Como qualquer fanático, ele conhece – decora e interioriza – a famosa passagem do Gênesis, livro que colocou Deus na lista do mais vendidos do New York Times, em que o divino materializa a sua aliança com Nóe através da figura do arco-íris (“Porei nas nuvens o meu arco; será para sinal da aliança entre mim e a terra” – 9:13-15).

                Religioso e heraclitiano, Hungrybear desespera-se ao ver um sinal divino repetido intensamente a cada fração de segundos. A obra tornou-se um grande sucesso no YouTube, com mais de dezessete milhões de acessos. Não descarto que uma única pessoa seja responsável por todos os views; afinal, se ela também for adepta de Heráclito, terá visto, teoricamente, o mesmo filme por milhões de vezes como se o assistisse pela primeira vez.

Tanto o Torrent como o Peer to Peer são sistemas de distribuição de arquivos na rede, mas que podem ser utilizados para aumentar a capacidade de processamento de uma máquina ou de armazenamento de dados. O P2P (peer to peer) é um sistema de transferência de dados que visa uma horizontalizarão do modo de distribuição. Em vez de uma única CPU distribuir para as demais, o P2P possibilitou que cada máquina se transforma-se em um distribuidor potencial de informações. O torrent é uma extensão desse sistema de transferência.

No caso do Torrent, uma pessoa disponibiliza um download no sistema e passa a ser a primeira seed. Dai em diante cada pessoa que baixa esse download se torna uma seed e quanto mais seeds esse link tiver mais rápido será para baixá-lo. No entanto, apesar do P2P e do Torrent possibilitarem uma democratização na distribuição de arquivos, essas transferências encontram uma barreira na legislação ( já discutida no texto anterior. Nesse contexto, surge a Licença Creative Communs, que é uma autorização formal do artista para a circulação de seu trabalho na internet, sem que ele tenha que abrir mãos dos direitos autorais. Dentro desse formato existem diversas licenças as quais o artista pode aplicar em sua obra. Desde licenças que conferem a possibilidade de mixagem da obra sem fins comerciais, quanto licenças que permitem apenas a circulação na rede.

Existe, também, um tipo de licença que se aplica para a disponibilização livre de softweares na internet , a GNU ( general public license )que pode ser tanto usada simplesmente para a execução de um programa, como também para o estudo e a modificação desse programa. Tanto sistemas colaborativos de Download como o Torrent, quanto o Creative Communs fazem parte de um novo processo comunicativo que está se consolidando. Um processo que abrange as possibilidades de acesso ao conhecimento e que faz de todos nós emissores e receptores, algo que se aproxima do sonho de Magnus Enzensberger de verticalização do processo comunicacional.

* Esse post foi publicado, originalmente, no domingo à noite, como comentário do texto anterior.

   Duas meninas, cujos comportamentos limítrofes constroem-se como estratégia persuasiva, valem-se do método classificatório de Aristóteles – tão evidente no Livro II, da Política – para sintetizar três maneiras de se destacar em público.

   A filmagem é caseira, o enquadramento torto; deterioração explícita da imagem que acompanha a tendência exposta pelo medíocre Jean Luc Godard, em Numero Deux, um filme B de 1975; equivocadamente – mas talvez por pena -, a dupla feminina decide homenageá-lo. Melhor seria se elas o tivessem deixado na lixeira histórica. Reside aí o único erro da dupla, que, em diante, apenas acumula acertos.

   Em respeito ao trabalho da dupla feminina, vamos nos valer de seu método classificatório para analisar a riqueza conceitual das três propostas. Elas expõem que, para chamar atenção – e assim cumprir a profecia de Andy Warhol sobre o direito aos quinze minutos de fama -, o sujeito pode:

1)      Colocar um coco na cabeça.

2)      Colocar uma touca de banho na cabeça.

3)      Pintar-se.

   Embora em ordem não-cronológica, as soluções apresentadas dialogam com o clássico modelo evolucionista cultural de L. Henry Morgan, no qual selvageria, barbárie e civilização sucedem-se na história da raça humana. Ainda que alguns invejosos taxem esse modelo de simplista e racista, as meninas, cientes de que estas críticas são descabidas, usam os três estágios da evolução para universalizar o terno de dicas.

    Quem é oriundo de locais onde a selvageria impera, deve pintar-se para aparecer; a marcação visual é mecanismo de demarcação de território e tem valor diferencial perante as outras tribos. Os que vivem em regiões bárbaras – tal como o Brasil, como elas sugerem implicitamente – devem colocar um coco na cabeça, pois afinal isso é tudo que temos aqui (R.I.P Carmen Miranda). Aos civilizados, que habitam países industrializados – onde toucas de banho podem ser produzidas, portanto -, é indicada a segunda estratégia de destaque.

   A dupla feminina construiu, portanto, um guia democrático e atemporal para diferenciação – e sobrevivência -, que contempla as especificidades sociais e étnicas de qualquer espectador. Com estas três dicas preciosas, tornar-se um sujeito de sucesso – um líder, talvez! – é só questão de tempo.

Uma das estruturas  fundamentais do século XX – rompida pela internet – foi a noção de público e privado.  Isso, principalmente, quando se trata de propriedade intelectual.

 Já que os meios de distribuição e produção são acessíveis a todos, a noção de propriedade intelectual se modifica. Parece descabido taxar como pirataria a apropriação de outras obras para a construção de uma nova no meio da internet. Um exemplo são programas do youtube que usam seriados de televisão – como Chaves e Chapolin – para fazer dublagens satíricas.

A grande contradição dessa nova rede de comunicação é : se por um lado ela viabiliza a produção de conteúdo e sua divulgação a todos, por outro a legislação que se aplica a ela é a que se aplicou durante o século XX, forjada no século XIX.

Esse modelo já estabelecido da propriedade intelectual, que sempre vislumbra a privatização, ainda faz força para proteger o conteúdo da internet em bancos de dados.  No entanto, a legislação que diz respeito a produtos culturais já  sofre mudanças para tentar contornar o embate entre o privado e publico.

    Se a Semana de Comunicação de 2009 foi palco de palestras inesquecíveis para os estudantes de cinema da FACOM, pode-se dizer que a de 2010, marcada por um caráter técnico simplista – em detrimento de discussões mais substanciais -, não correspondeu às expectativas.

   Na edição anterior, palestrantes como João Moreira Salles e Mauro Lima colocaram em questão a linha tênue entre documentário e ficção, bem como traçaram um panorama do cinema de baixo orçamento no Brasil. Em 2010, por outro lado, colocou-se em pauta o cinema 3D e o tratamento de cor na pós-produção. 

   Comparando as duas edições, é consensual entre alunos de cinema que a de 2010 foi menos atraente. Por ser mais difícil transmitir conteúdos técnicos em pouco tempo, as palestras acabaram se tornando uma mera exposição das novas tecnologias, sem que nada tenha sido aprofundado.

        Nesse cenário, uma exceção: a palestra de Thomaz Farkas, o fotógrafo renomado. Os trabalhos de Farkas são de sensibilidade rara. É um artista que preza a realidade ao espetáculo, a sutileza cotidiana ao fascínio técnico. Em sua carreira como fotógrafo, percorreu o Brasil e retratou os mais diversos traços de nossa cultura, sem espetacularizar a miséria, ou enaltecer as virtudes; ao se posicionar ao nível do objeto retratado, alcançou um registro fiel, digno de um mestre.

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